Cadê Meu Carnaval, Oh Saudade
*Por: Gil Vieira
O Carnaval tradicional mudou. Passou por transformações profundas ao longo das últimas décadas e deixou para trás uma atmosfera que muitos descrevem como mais familiar, espontânea e musicalmente mais rica. A expressão *“bom Carnaval”* remete a um tempo em que a festa valorizava a simplicidade, a alegria coletiva e a convivência comunitária.
Eu — assim como tantas outras pessoas — sinto saudade da época em que o Carnaval girava em torno dos bailes de salão, dos blocos de rua, dos confetes e serpentinas, do samba-enredo com ricas letras, cantado com emoção. Era uma festa vivida sem o peso constante da insegurança, sem o medo de grandes tumultos ou da violência que hoje ronda a folia.
O Carnaval moderno, infelizmente, transformou-se em um evento gigantesco e, muitas vezes, arriscado. A própria mídia retrata esse novo cenário. No Carnaval de 2026, por exemplo, a abertura oficial em *Salvador* ocorreu na quinta-feira, dia 12. Apesar de uma redução de 46% nos registros de roubos em relação ao ano anterior, o governo estadual precisou mobilizar cerca de 37 mil profissionais militares para atuar nos circuitos da festa.
Em *São Paulo e Rio de Janeiro,* foram implantados esquemas especiais de segurança, com uso intensivo de videomonitoramento e drones. Ainda assim, os furtos continuam sendo um dos principais desafios da maior celebração popular do país.
Outro dado preocupante diz respeito ao assédio. Pesquisa divulgada pela *Agência Brasil* revela que 80% das mulheres temem sofrer assédio durante a folia de 2026, e quase metade afirma já ter sido vítima desse tipo de violência em carnavais anteriores.
Diante disso, fica a pergunta que ecoa no coração de muitos foliões de ontem: *cadê aquele Carnaval leve, seguro e verdadeiramente popular?*
*Oh saudade…
* Gil Vieira é advogado, Escritor, peta e membro da ACB Academia de Cultura da Bahia.














