domingo, 4 de outubro de 2020

SOBRE ALLAN DE KARD

Sergio Ramos, Lázaro Faria, Xeno Veloso, Valéria Vidigal, Beto Magno, Vera de Paula, Zelito Viana e Allan de Kard


 Inauguro no dia de hoje essa coluna, para falar a respeito da Obra do Artista Plástico Allan de Kard, que é, na minha opinião, o Mário Cravo dos Sertões.  Vejo na obra desse artista uma nova escola que surge que talvez o tempo irá chamar de “O Neocontemporâneo”.

    O que existe de novo no seu trabalho?   Allan propõe, a fusão dos sabres Humanos de tal forma que é difícil saber que se trata de um filósofo que se faz artista ou um artista que também é filósofo.

    A mensagem que traz, na maior parte das vezes acompanhada de argumentos fascinantes, sempre vinculados com as Leis naturais e em defesa da vida e dos seres humanos.

    Transgressor, como deve ser todo artista que pretende contribuir com a mudança para melhor do mundo, produz obras polêmicas. E a última delas é o monumento aos heróis da Saúde, instalada numa das principais avenidas de Vitória da Conquista.

   Me valho aqui de um inteligente comentário feito pela artista Tina Gusmão, acerca dessa obra, fazendo conexão com uma outra obra do artista o Monumento ao Gari:   Suas palavras:  “ Allan fez do Macro Invisível, para chamar atenção para a importante figura do Gari, e agora ele faz do micro escandalosamente macro para homenagear seres humanos gigantes, que são os profissionais da Saúde “. Digo portanto que esse é sem dúvida, e o tempo comprovará isso, um dos maiores nomes das artes Plásticas do Brasil.


  Beto Magno - Cineasta e Jornalista DRT-5353-BA 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

ANSELMO VASCONCELLOS


 Anselmo Vasconcellos justificando  para o publico o motivo da sua ausência na inauguração da VM FILMES em Vitória da Conquista - BA. Novembro de 2017 na Fazenda Vidigal.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

O ESTAGIÁRIO Trailer Legendado Português

 


 

Se você gosta de assistir a filmes, certamente sabe que, além de entreter e emocionar, eles também são capazes de ensinar. É o caso de “Um Senhor Estagiário”, estrelado por Anne Hathaway e Robert De Niro. Com roteiro e direção de Nancy Meyers, a comédia com toques de drama é inspiradora principalmente para as mulheres na liderança.

De Niro vive Ben, um executivo aposentado e viúvo de cerca de 70 anos. Ele se sente desmotivado e entediado e, por isso, resolve fazer algo com toda essa energia e disposição. É nesse contexto que, em busca de um propósito de vida, ele descobre um programa de estágio voltado para a terceira idade.

Ben, então, começa a estagiar na startup online fundada por Jules, interpretada por Anne Hathaway. Jovem esposa e mãe, ela está totalmente dedicada à sua nova empresa, que está crescendo com bastante rapidez.

Esse sucesso todo faz com que os investidores da startup questionem a capacidade de Jules de comandar o negócio — eles acreditam que a falta de experiência dela possa comprometer o potencial e o sucesso da empresa. Com isso, Jules começa a duvidar de si mesma não apenas no âmbito profissional, mas também enquanto esposa e mãe.

Diante desses obstáculos, Ben mostra-se um grande aliado para Jules. Ben fascina-se pela determinação e pela capacidade dela e, por isso, tenta motivá-la a não deixar que a startup vá parar nas mãos dos investidores.

“Um Senhor Estagiário” aborda, assim, a relevante questão das mulheres na liderança, discutindo também a importância da convivência entre gerações, da empatia e de trabalharmos com pessoas que nos inspirem e nos motivem a ir cada vez mais longe. Veja, agora, quais são as lições que você pode levar do filme para a sua vida!

Seja autêntico

Os investidores duvidavam da capacidade de Jules porque ela não se encaixava na visão que tinham de alguém capaz de comandar uma empresa em crescimento. Enquanto isso, a personalidade de Ben era considerada por muitos como sendo careta ou antiquada. Outro fator é a honestidade do personagem que assustava muitas pessoas.

Entretanto, é admirável o fato de que Ben manteve-se autêntico e verdadeiro, sem jamais se tornar desrespeitoso ou mal educado. Com isso, o longa mostra como a honestidade é fundamental, mas que ela não deve ser usada como desculpa para ferir ou magoar as pessoas.

A autenticidade e o respeito ao outro são características fundamentais no mundo corporativo, ainda que muitos prefiram lidar com quem se encaixa em suas ideias preconcebidas. Quando você é você mesmo, consegue deixar sua marca em seu trabalho.

Permaneça calmo

Jules chega perto de se desesperar e ceder o controle de sua startup aos investidores, mas o apoio e a confiança de Ben fazem com que ela permaneça calma e bole maneiras de manter a liderança sobre a empresa.

Perder a calma leva apenas à raiva, ao estresse e à confusão, fazendo com que você perca a razão e tome atitudes caóticas e impulsivas. Ou seja, não ajuda em nada, não é? Quem consegue manter a calma, mesmo diante de imprevistos, desapontamentos e situações complicadas, obtém maior êxito.

Além disso, muitas vezes, manter-se calmo exige coragem. É por meio de comportamentos como esse que você demonstra sua verdadeira face como líder. Portanto, mesmo quando as pessoas à sua volta perderem a calma e a paciência, mantenha a sua compostura.

Seja generoso

Quando comparamos o líder de hoje à figura do superior no passado — que era mais um chefe do que um verdadeiro líder —, percebemos que um dos pontos que mais evoluíram foi a maneira com que ele trata e valoriza os colaboradores sob seu comando. Atualmente, isso acontece de uma forma muito mais humanizada do que era o comum.

Nesse novo contexto, a generosidade é um traço fundamental para quem quer ser um líder diferenciado, humano e capaz de motivar sua equipe a ir cada vez mais longe. Essa qualidade deve ser praticada especialmente nos momentos difíceis, quando as pessoas mostram quem realmente são.

Também é fundamental ser generoso com si mesmo. Diante de desafios e obstáculos. não se esqueça do que você já conquistou e de todas as coisas boas que já fez na sua vida pessoal e profissional — isso dará forças para continuar e para conquistar ainda mais. Foi isso que manteve Jules firme na certeza de que, embora não tivesse tanta experiência, ela era a pessoa certa para comandar sua startup.

Em “Um Senhor Estagiário”, Ben pratica a generosidade especialmente ao lembrar Jules de que o crédito das suas conquistas é todo dela, e não dele. Na visão do personagem, o que ele fez foi reinterpretar as ações dela e, a partir daí, guiá-la e apoiá-la. Afinal, ser generoso também envolve valorizar e respeitar o sucesso do outro.

Valorize as pessoas

Ben exerce uma influência tão positiva na vida e na carreira de Jules porque ele se dedicou a observá-la não apenas como superiora, mas também como pessoa. Por isso, nos momentos em que ela precisou de ajuda com seus dilemas familiares, com seus medos e sonhos, ele foi capaz de ajudá-la.

Enquanto isso, Jules conseguiu salvar seu casamento em crise e perdoar o marido após uma traição por aprender que, para que sua família não fique de lado enquanto ela cresce enquanto profissional, a comunicação é fundamental.

Especialmente no contexto das mulheres na liderança, muito se fala sobre a necessidade de conciliar família, casa e trabalho com sucesso. A verdade é que o importante é que a família respeite e compreenda os objetivos dela para que, assim, ela possa dedicar-se aos dois âmbitos de sua vida sem prejudicar um ou outro.

Tudo isso parte da necessidade de valorizar as pessoas e de trabalhar a empatia. Quando entendemos o que o outro quer, precisa ou teme, nos tornamos capazes de oferecer ajuda, aconselhamento ou apenas um ombro amigo. Tanto na vida pessoal quanto na profissional, isso é muito importante para formar laços e parcerias verdadeiras.

Viu só? “Um Senhor Estagiário” tem muito a ensinar sobre o que significa ser líder e tratar colegas, superiores e funcionários de forma humanizada, especialmente para as mulheres na liderança. Com isso, a empresa e o time crescem em longo prazo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

CORAGEM PARA MUDAR

 

Dr. Valdir Gomes Barbosa

CORAGEM PARA MUDAR

     Soteropolitano de nascença, me pus, em meados dos anos setenta, nas bandas do sudoeste baiano. Fi-lo, ao iniciar minha carreira profissional, pois tudo começou quando assumi o cargo de Delegado de Polícia, em Itapetinga e sabem disto, aqueles que me conhecem de perto, bem como outros personagens que, com paciência leram livro de memórias que lancei - SAQUES E TIROS NA NOITE - ou textos publicados por mim, ao longo dos derradeiros tempos, aliás, tenho dito que a existência de todos nós se divide em duas fases, uma de fazer história e outra de contar histórias, atualmente, vivo com intensidade a derradeira, a despeito de continuar atuando agora como consultor, no segmento ao qual me dediquei na seara pública, por quatro décadas.

        Naquele canto do nosso imenso Estado, sobretudo em Vitória da Conquista, cidade polo de toda a região que envolve seu entorno plantei amores e amigos, assim, graças a Deus, a semeadura frutificou com abundancia, na forma de filhos, netos e outros fraternos conhecidos que foram vindo, figuras capazes de me fazer feliz e realizado. Não tenho dúvidas de que tudo faz parte de uma organização cósmica perfeita, onde nada é por acaso, destarte, todos que veem até nós, no plano da atualidade, em algum instante dos tempos sumidos estiveram conosco, assim, o reencontro objetiva resgatar equívocos, ou referendar acertos dos tempos sumidos.

        Todo este preambulo expressa o quanto desejo dizer nas linhas que se seguem, justo quando passo a falar de velhos amigos, outros que chegaram no tapete estendido pelos antigos, lugares mágicos onde desfrutamos momentos de alegria e prazer, inolvidáveis, mesmo porque, a arte de viver nada mais é, senão aproveitar seus instantes coloridos com intensidade.

         Há algumas décadas pude conhecer um homem sensível, inteligente, viajado, vivedor, amante emérito dos prazeres que o mundo nos oferece, gourmet por excelência, como indica o dicionário, "indivíduo que é bom apreciador e entendedor de boas mesas, de bons vinhos e se regala com finos acepipes e bebidas". Falo de Paulinho Baiano, filho único do baluarte Neném baiano e pai de João Paulo, a quem tenho como sobrinho, personalidades conquistenses marcantes, cada um a seu momento, como homens de bem, empresários consagrados, pais de família exemplares. Os dois primeiros há algum tempo nos deixaram, um após o outro e devem estar juntos na seara etérea privando da companhia recíproca e dos privilégios reservados àqueles que praticaram o bem, neste palco de provas e expiações.

            Paulinho, engenheiro civil por formação acadêmica, exerceu várias atividades, tanto na vida pública, bem como no âmbito privado. Ao estertor da década de oitenta foi diretor da Companha de Navegação Baiana, no governo de Nilo Coelho, em seguida já com ACM chegou a CONDER, tempo no qual estreitamos nossa amizade, pois fui Delegado de Guanambi, terra do primeiro e estive assessor dos Secretários de Segurança Pública, desde 1991 até 2003, quando assumi o posto de Delegado Geral do Estado da Bahia.

            Exatamente nesta época, início do ano 2000, Baiano enveredou pela atividade que nos fez brindados, inicialmente moradores da capital, em seguida residentes e visitantes da suíça baiana, vez que em Salvador inaugurou o restaurante Amado, na subida da Contorno, depois, ao retornar para seu rincão, abriu o Bistrô, casa de alto nível que manteve funcionando, até quando foi chamado à eternidade.

            Desnecessário falar da excelência destas casas, sobretudo o Bistrô, onde era possível encontra-lo todos as tardes e noites, pilotando uma boa taça de vinho e recepcionando os fregueses, com sua costumeira elegância e prosa leve. Incontáveis vezes tive o privilégio de privar de sua companhia agradável, entre generosas doses de boa bebida e comida especialíssima, ouvindo suas histórias do campo, nas plagas da fazenda em Itambé, ou nos ares diferenciados da Europa quando lá esteve por longa data, decerto, a porta que fez aprimorados seus conhecimentos culinários e de sommelier. 

            Todavia, relembro, de início falei, a messe que me coube, no semear pessoas queridas foi próspera. Tenho partido Paulinho, a casa finalmente veio a outras mãos, cujos sócios atuais, Antônio Rocha Neto, o Neto, e Jackson Waitx Mazzarello, Chef Jack, se tornaram também diletos amigos meus. A dupla, em perfeita simbiose tendo na pessoa de Neto a figura do empreendedor e anfitrião, enquanto Jack consagrado chefe, com passagem em grandes casas paulistas, a exemplo do Fasano mantiveram, desde 2017 quando assumiram aquele lugar, o mesmo padrão de qualidade implementado por Paulinho Baiano, não só no serviço específico, como também na cortesia dispensada por ambos, a todos os seus frequentadores, sem exceção.

            Assim, em pouco tempo, egressos de São Paulo, a despeito de Neto ser filho de Jitaúna, porém durante muitos anos esteve radicado no sul do país, eles foram se integrando à sociedade da terra serrana que os acolheu, da forma como verdadeiramente mereceram, por conta do profissionalismo e carisma de que são possuidores.

            Soube, em conversa com eles que após este período atípico, por força da malvada pandemia, a casa reabrirá em setembro próximo tomando também conhecimento de que mudanças serão efetivadas, no estilo, na forma, no modelo que esteve adotado desde quando se fez começar, com o velho Paulinho, as quais tinham sida mantidos até agora por seus sucessores.

          Este é o segredo que agiganta a vida, mudança. Tudo sempre está em permanente estado de alteração, é preciso ajustar, acomodar, modificar, adaptar-se para progredir. Vale dizer que não se trata de mudar por conta da doença que assola o mundo, neste caso os gestores querem definir um novo estilo, uma outra dinâmica ao negócio, no sentido de atender de forma cada vez mais satisfatória, os frequentadores do restaurante.

            Porém, apesar das transformações - até o nome Bistrô será substituído -, a essência do atendimento, traço inapagável da personalidade de seus donos continuará inalterável, no quanto respeita, principalmente, a atenção e carinho pelos clientes. Espero poder estar presente, na reabertura, desde já me encontro ansioso por conhecer as novidades, saber qual a nova denominação da casa que nos próximos dias nos será revelada.

            Parabéns a ambos, Neto e Jack, até porque, transformar, modificar exige grande dose de coragem e confiança. Não tenho dúvidas de que o sucesso continuará batendo às suas portas. Felicidades. 

            ABRAÇOS,

                     Valdir Barbosa

            Salvador, 18 de agosto de 2020

quarta-feira, 6 de maio de 2020

GLAUBER – O FILME, LABIRINTO DO BRASIL







GLAUBER – O FILME, LABIRINTO DO BRASIL

2003
Minutagem: 1h38' e 40'
Em Glauber – o filme, labirinto do Brasil, Silvio Tendler homenageia uma das figuras seminais do cinema brasileiro a partir da sua morte, em agosto de 1981, e compõe um mosaico com cenas do enterro, entrevistas de Glauber Rocha e de seus amigos. Glauber revolucionou o cinema. Com seus filmes, propôs uma revisão radical nos conceitos culturais do Brasil e influenciou outras cinematografias. Viveu em um tempo de sonhos de grandeza e esperança. O mundo fundia-se em uma festa libertária e a revolução viria do casamento da arte com a política, da realidade com a utopia, da verdade com o delírio. Realizou 15 filmes, escreveu ensaios, romances, peças de teatro. Um dos principais nomes do Cinema Novo, Glauber sentia-se marginalizado e não via perspectivas de saída no cinema brasileiro. O documentário mostra um homem inconformado, caótico, provocativo, que falava sem claquete, pensava grande, capaz de identificar talentos em seus amigos, dono de uma energia pulsante que nunca era estancada e que usava a palavra como pregação.


FICHA TÉCNICA

Direção, roteiro e montagem: Silvio Tendler
Imagens Históricas
Fotografia: Fernando Duarte e Walter Carvalho
Som: Cristiano Maciel
Consultoria de roteiro: Orlando Senna
Arte: Hélio Jesuíno
Labirintos: Patrícia Tebet, Cia de Design
Assistência de direção: Silvio Arnaut
Assistência da versão média: Terêncio Pereira Porto
Assistência de finalização: Fernanda Guimarães
Trilha sonora original, composiçnao, arranjos e direção musical: Eduardo Camenietzki
Interpretada por: Ithamara Koorax
Trilha adicional: Caíque Borkay
Produção e Pesquisa: Arthur Angeli, Carolina Paiva, Silvio Arnaut, Terêncio Pereira Porto
Edição das imagens: Silvio Arnaut
Edição da versão média: Renato Schvartz
Imagens das entrevistas: Américo Vermelho, Bruno Oliveira, Eryk Rocha, Johny Howard Szerman, Marcelo Garcia, Phiilippe Constantini, Estefan Hess, Silvio Arnaut
Som: Bruno Corrêa, Carolina Paiva
Finalização: Flávio Nunes
Edição de som e mixagem: Alexandre Duarte e Pedro Cintra




CURANDO MINHAS "NEURAS"!

terça-feira, 5 de maio de 2020

TÉCNICA E SENSIBILIDADE

Beto Magno

A Direção de atores é mais do que uma profissão é uma arte que requer muita sensibilidade, conhecimento, técnica e principalmente percepção. Ser diretor não é ficar aos berros no SET dando ordens e muito menos ficar provocando constrangimentos na equipe e no elenco. Ser diretor e estar atento para tirar o máximo de proveito do que o ator e equipe pode contribuir para que sua cena seja bonita, tenha sentimento e principalmente transmita verdade para quem está assistindo e essa administração em busca da verdade do ator em cena com limitações técnicas não é fácil para ambos os lados seja na publicidade, cinema, TV ou jornalismo. Você precisa compreender para ser compreendido, um diretor tem que saber extrair do ator a sensibilidade e a técnica.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

1000 MEGATONS DE POSITIVIDADES





#conhecimento #autoconhecimento #equilibrio #gaia #povosoriginarios #maenatureza #somosum


CINEMA ATUALIDADE

Beto Magno



UMA VISÃO SOBRE O CINEMA ATUAL*


Juliana Vannucchi

Estudante de Comunicação Social
Para quem já assistiu a filmes antigos, fica evidente a diferença entre os filmes produzidos nos dias de hoje e os realizados antigamente. Hoje, a produção cinematográfica acontece em imensa escala e grande diversificação. Vê-se menos importância por parte dos produtores de cinema sobre o que será transmitido através de um filme, e maior importância sobre o fato de apenas produzir uma mercadoria que será vendida. Surgem a partir dessa fórmula os populares clichês, ou seja, filmes repetidos em situações, nos quais o espectador já sabe logo nas primeiras cenas o que está por vir ou, inclusive, qual será o final.
O cinema contemporâneo preocupa-se principalmente em apresentar para um público geral aquilo que essas pessoas querem e gostam de ver. A linguagem da maior parte dos filmes modernos é acessível a todos os espectadores e os enredos são simples, fáceis de ser compreendidos.
A temática dos filmes contemporâneos é normalmente singela, seguindo muitas vezes um modelo baseado em vilão-mocinha-herói e um núcleo cômico que se responsabiliza por ridicularizar as cenas e interpretar falas engraçadas. Esse estereótipo pode ser reconhecido sobretudo em comédias românticas, hoje um gênero incrivelmente adorado pelo público. Nesse tipo de filme, logo nas primeiras cenas é evidente quem se apaixonará por quem e quem terminará junto de quem. O espectador não tem nenhuma novidade no decorrer das cenas e não adianta perder seu tempo esperando atitudes inteligentes ou soluções práticas por parte dos personagens. O cenário visual costuma ser básico e o roteiro composto por uma linguagem de fácil entendimento.
Filmes de ação e de terror, hoje feitos em alta escala, também adotam cenas usuais presentes em vários do gênero. Quem nunca se deparou em filmes de ação com cenas de perseguições de carro frenéticas, em que o mocinho (incrivelmente habilidoso no volante) pratica manobras perigosas e sempre sobrevive? Ou com explosões grandiosas, chefes de polícia negros às vezes comendo rosquinhas, herói baleado mas nunca morto? E quem nunca viu, naqueles de terror, famílias que herdam residências abandonadas no meio do nada, para a qual se mudam? As cenas desses filmes de horror são comumente marcadas por barulhos misteriosos, coragem exagerada dos heróis, falta de energia na casa, entre outros momentos comuns em narrativas do gênero. Ambos os tipos de filmes contam geralmente com estrelas ou atores momentaneamente famosos nos papéis dos personagens principais. Esses atores e atrizes, por sua vez, passam a sensação de mau uso de seus talentos por não precisarem atuar de forma tão intensa. Nessa tipologia de filme, os coadjuvantes mal interferem nas cenas e os diretores deixam a criatividade de lado.
A maior parte dos filmes que entram em cartaz hoje em dia são curtos e óbvios. Muito clichê e pouca originalidade fazem o cinema atual funcionar: o cinema é hoje uma mercadoria abstrata que visa lucros, e para lucrar obviamente precisa vender. Portanto, vende aquilo que as pessoas desejam assistir. Enquanto o público receber bem e pagar para assistir aos clichês,essa fórmula de filmes continuará existindo. Uma observação que é necessária ser considerada é de que atualmente o mundo vive de forma rápida. As informações são distribuídas em uma velocidade impressionante e as pessoas estão cada vez mais conectadas, o que permite que o fluxo de informações e noticias seja veloz. Assim, num mundo rápido, o espectador espera também um filme rápido. Outro aspecto a ser levado em conta é que as cidades grandes, com suas naturais complicações e problemas, estressam seus habitantes, que buscam, portanto, no cinema, um momento de descanso, de quebra de uma rotina tão entediante quanto tensa. Os filmes propiciam um tempo para as pessoas relaxarem e se desligarem das dificuldades e contrariedades diárias. Não há, então, por que fugir de uma complicação vivida para assistir a uma fictícia. Desta forma, as pessoas vão atrás de um filme simples, que as faça sorrir ou que estimule sua imaginação através de cenários fantasiosos e inovadores, deixando de lado casos complexos e histórias complicadas que exijam alto grau de atenção e raciocínio.


*Artigo originalmente postado no portal "Plano Crítico" (http://planocritico.ne10.uol.com.br)

quinta-feira, 30 de abril de 2020

TÉCNICAS DE FILMAGEM


Por Beto Magno

Técnica de filmagem - Captura



ENQUADRAMENTOS



O enquadramento é o campo visual capturado pela objectiva da câmara. A esse
elemento capturado chamamos plano, o qual mediante a disposição dos elementos
ganha diferentes valores significativos e diferentes tempos de leitura.
São vários os tipos de enquadramento que se podem usar no momento de filmar.
Neste tipo de plano as costas e o ombro do
jornalista podem aparecer em algumas das
respostas do entrevistado, embora vá criar algum
ruído na imagem.
O entrevistado deve surgir sempre em primeiro
plano, olhando na direção do jornalista
O jornalista pode surgir em primeiro plano nas
perguntas, com um enquadramento similar ao do
entrevistado.
Este plano normalmente é gravado
posteriormente ao fim da entrevista. Nesta fase o
jornalista pode também “perguntar” usando como
imagem um plano médio, dando assim mais recursos de imagem para o trabalho de
edição

PLANOS DE CORTE
Este tipo de plano é essencial na construção de uma peça de televisiva já que permite a
mudança de planos, locais e momentos.
Um dos planos mais famosos em televisão é o plano de corte que utiliza as mãos do
entrevistado. Este típico plano causa ruído e distração sendo por isso considerado uma
coisa do passado.
Outros planos, não menos famosos, são o de alguém a escrever ou a imagem de uma
outra câmara de filmar. Estas também são imagens do passado que nada acrescentam e
que também causam ruídos, distração, quebra na história visual.
Ao usar o plano de mãos como plano de corte, o telespectador perde a atenção, e a
peça fica prejudicada na sua sequência informativa, já que as mãos não se relacionam
com o conteúdo.
Este plano deve ser substituídos por planos abertos, planos fechados ou pela utilização
do plano e do contra-plano do jornalista e do entrevistado.

OS CONTRA-PLANOS
É um plano recomendado sempre que existam condições para tal, já que facilita a edição
do diálogo.
O que é contra-plano do entrevistado? É a gravação deste calado enquanto olha para o
jornalista que lhe coloca a questão.
Por sua vez, o contra plano do jornalista, é naturalmente a imagem oposta, olha para o
entrevistado ouvindo-o numa atitude neutra, sem movimentos de cabeça a dizer que
“sim” ou “não”, nem recorrendo ao “uhm, uhm”.
O repórter de imagem é essencial nestas situações, já que deve avisar o jornalista dos
movimentos de cabeça caso eles existam.
O jornalista neste momento caso use microfone de mão, deve ter o cuidado, de efetuar
as questões colocando o microfone sempre à mesma distância que usou para colocar a
questão ao entrevistado durante a entrevista.



PLANO GERAL
O plano inteiro é outro que facilita o trabalho de edição.
Nas entrevistas em salas ou gabinetes, o plano geral
deve ser feito para que apareça o jornalista e o
respectivo entrevistado na imagem.
Este plano pode ser feito mais cedo, enquanto o
jornalista prepara a entrevista na conversa prévia com o entrevistado, ou pode ser feita
no fim, quando a entrevista terminou.



AS REGRAS
OS 180º
É uma regra que os repórteres de imagem devem respeitar. Traça-se uma linha
imaginária que une o jornalista ao entrevistado, e apenas se trabalha de um desses
lados, respeitando sempre o ângulo dos 180º, conforme a figura:
Ao ser respeitada a regra, o telespectador tem a facilidade de perceber que mesmo que
o jornalista e o entrevistado não apareçam juntos, o entrevistado está voltado para o
jornalista e vice-versa.



Centros de interesse
O interesse do telespectador sobe em função da localização do centro da imagem.
O centro de interesse principal deverá ser colocado no terço direito da imagem.
Se a imagem tiver um único centro de interesse, toda a ação se centra nele.
A imagem poderá ter dois centros de interesse e nesse caso a nossa atenção divide-se
por ambos.
Se uma imagem tiver vários centros de interesse, a atenção varia, centrando-se
alternadamente num ou noutro ponto, conforme a sua posição relativa



ESCALA DE PLANOS
Considerando um homem como exemplo, podemos dividir o seu espaço em três
grandes áreas demonstrativas
1. A que nos mostra o ambiente que o envolve
2. A que nos permite observar a ação que executa
3. A que nos possibilita analisar a sua expressão


Desta forma surgem três grupos de planos: Ambiente, Ação e Expressão


Os planos de ambiente podem ser:_ PMG – Plano Muito Geral

_ PG – Plano Geral



Os planos de ação podem ser:



_PGM – Plano Geral Médio
_PA – Plano Americano
_ PM – Plano Médio



Os planos de expressão podem ser:



_ PP – Plano Próximo
_ GP – Grande Plano
_ MGP – Muito Grande Plano
_ PD – Plano de Detalhe





AS CARACTERÍSTICAS DOS DIVERSOS PLANOS
PLANO MUITO GERAL (PMG) – É o plano que não tem
qualquer limite, é bastante geral. Contém, essencialmente, o
ambiente. O elemento humano quase que não é visível na
imagem.

PLANO GERAL (PG) – Este plano também se centra no
ambiente. Apesar disso já se vê o elemento humano na
imagem. Este plano já contém alguma ação apesar de o
ambiente ainda prevalecer.
PLANO AMERICANO (PA)Neste plano, apesar do ambiente
estar presente, o conteúdo principal é a ação das personagens.
O limite inferior da imagem corta o ser humano pelo meio da
coxa.



PLANO MÉDIO (PM) – O ambiente não surge neste plano. Este
plano caracteriza-se fundamentalmente pela ação da parte
superior do corpo humano. O plano é cortado pela cintura. Este
plano é considerado um plano intermédio entre a ação e a
expressão.
PLANO PRÓXIMO (PP) – Este plano é cortado pouco abaixo das
axilas. Permite por exemplo imagens de alguém a fumar,
cortando totalmente o ambiente em redor. Este tipo de planos
privilegia o que é transmitido pela expressão facial.



GRANDE PLANO (GP) – Este plano é a expressão na sua máxima
importância. É um plano que é cortado pela parte superior dos
ombros. Este plano retira a ação e o ambiente da imagem.
MUITO GRANDE PLANO (MGP) – Plano de expressão exagerado.
É um plano que ao ser cortado pelo queixo e pela testa permite
que seja aumentada a carga emotiva da imagem para o
telespectador.




PLANO DE DETALHE (PD) – Este plano foca apenas parte de um
corpo, desmontando assim o corpo humano. Este plano permite
também que seja aumentada a carga emotiva da imagem, ao
focar, por exemplo, uns olhos a chorar.





Ao introduzirmos movimento na câmara, criamos outro tipo de planos dependentes
desse movimento ou do uso de um ângulo diferente dado à câmara. Assim temos:
FOCA-DESFOCA – Plano em que ao focar-se o primeiro elemento mais próximo desfoca-se
o segundo elemento.



ZOOM – Aproximação, ou afastamento, a determinado objecto. Este tipo de plano deve
ser equilibrado, não deve ser muito rápido nem exageradamente lento



PANORÂMICAS – Normalmente é um movimento efetuado de acordo com a nossa
leitura ou seja da esquerda para a direita apesar de se poder efetuar no sentido
contrário. Também é um plano que requer equilíbrio, não devendo ser nem muito
rápido nem muito lento. Neste plano, o movimento da câmara é apoiado no eixo do
tripé.
TILTS – Movimento parecido com a panorâmica. O movimento é também efetuado
normalmente de acordo com a nossa leitura, de cima para baixo, apesar de se poder
efetuar no sentido oposto. É também um plano que requer equilíbrio, não deve ser
nem muito rápido nem muito lento.



TRAVELLING – Movimento bastante utilizado no cinema. A câmara efetua um
determinado percurso. Este tipo de plano é normalmente utilizado em situações de
explicação de determinada situação/movimento.



TRACKING - Movimento que segue uma personagem ou um objecto que se movimenta,
como se fosse uma perseguição.



Este gênero de planos deve ser utilizado com bom senso. O uso excessivo na mesma
peça deste gênero de planos acaba por transmitir a ideia de um trabalho feito à imagem
de um vídeo de casamento.



ALGUNS APONTAMENTOS RELATIVAMENTE AOS PLANOS



Apesar da descrição sucinta de cada plano, os limites referidos nunca são rígidos. Cada
caso é um caso, e se determinado plano (feito de acordo com as regras apontadas) é
indicado para determinada peça isso não significa que esse mesmo plano resulte na
peça seguinte.
O repórter de imagem, em consonância com o jornalista, seu colega de equipa, deve
optar sempre pelos planos que vão encaixar na história. Para isso é fundamental o trabalho de equipa e um perfeito conhecimento das razões pela qual estão a fazer
aquele trabalho. Uma boa preparação do trabalho é fundamental para que exista um
bom trabalho de equipa.
Nota: Filmar é contar uma história, não é apontar a câmara e carregar no botão.



ERROS DE ENQUADRAMENTO



A IMAGEM EGÍPCIA
Um erro habitual é quando o entrevistado fica de lado para a câmara, ficando assim o
entrevistado de lado, e metade do visor vazio. É uma imagem pobre e errada, que nada
diz ao telespectador.
Este erro tem uma solução extremamente fácil, o jornalista coloca-se sempre ao lado da
câmara de filmar. O entrevistado surge bem enquadrado na imagem já que olha para os
olhos do jornalista. Desta forma o telespectador pode observar as expressões do
entrevistado, detalhes que acabam por reforçar a ligação entre o entrevistado e o
telespectador.
IMAGENS PICADAS



O olhar da pessoa deve estar sempre ao nível da objectiva. Nunca se deve filmar um
convidado ou jornalista de cima para baixo (picado), ou ao contrário de baixo para cima
(contrapicado). No caso de alguém filmado de cima para baixo estamos a dar uma
imagem do convidado de ser alguém diminuído. Se o convidado for filmado de baixo
para cima estamos também a dar uma falsa imagem de poder.
ABERTURAS, PASSAGENS E FECHOS



O jornalista nunca deve surgir em plano próximo em
qualquer destas situações devendo usar o plano médio.
A posição do jornalista deve ser ligeiramente diagonal,
com o cenário em fundo. O telespectador fica, desta
forma, com um enquadramento mais agradável



Ao usar as passagens, o jornalista nunca deve ficar no centro da imagem, mas sim num
dos lados, para que o ponto de fuga ser aproveitado, valorizando a informação visual.
Neste tipo de imagens o limite é sempre a cintura. Porém, caso seja necessário, pode-se
usar o plano inteiro, sendo este fechado até se atingir a zona da cintura.
Para este tipo de imagens serem utilizadas e bem feitas o trabalho de equipa entre o
jornalista e o repórter de imagem é fundamental. Assim o conjunto do ambiente e do
jornalista saem reforçados.
Os movimentos de câmara e do jornalista devem ser treinados para que exista
sincronização.
As passagens, aberturas e encerramentos não devem ser iguais. O jornalista deve ter
todas as condições para uma boa imagem e o repórter de imagem deve orientar o
jornalista de modo a que os enquadramentos sejam os corretos.
Este tipo de planos deve reforçar o trabalho da equipa e a qualidade do trabalho e não o
contrário.